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Casa container: um novo conceito de moradia que atrai cada vez mais brasileiros

container house

Aqueles que se sentem atraídos por designs modernos, com características industriais, certamente não deixaram as construções em containers passarem despercebidas. O estilo ganhou notoriedade em projetos para estabelecimentos comerciais e, agora, começa a se destacar também em versões residenciais.

Os contêineres, originalmente usados para o transporte de carga, apresentam estruturas metálicas, de aço, rígidas e resistentes. E, graças a essa característica, eles podem ser usados na construção de casas, seja por meio de uma única unidade ou da junção de várias, lado a lado ou até mesmo empilhadas. Por outro lado, se comparada à construção tradicional de casas de alvenaria ou madeira, a casa container pode ser uma opção não apenas diferente, jovem e ousada, mas, sobretudo, mais barata e rápida, já que aproveita material já existente que é reutilizado.

Todos esses fatores, segundo o arquiteto Murilo Lomas, tornam a alternativa cada vez mais popular. “Está havendo uma mudança de paradigma na habitação e a possibilidade de uma moradia de rápida execução, com valores mais acessíveis em contraponto ao custo e tempo para a construção convencional, tem impulsionado essa forte demanda pelas casas container”, explica Lomas.

“Essa categoria de residência é uma boa estratégia para quem procura uma solução mais rápida. E o material principal, o container, pode ser adquirido de modo natural, reaproveitando os já usados nos portos ou, se a pessoa preferir, os novos, recém-saídos da fábrica. Mesmo assim, é um recurso muito versátil, que permite inúmeras formas de elaborar uma residência”, afirma o arquiteto Daniel Ghizi. “A praticidade que ele traz aos projetos é tão grande que, em poucas semanas, é possível construir uma casa de qualidade com benefícios de longo prazo”, completa.

Para Rafael Cerqueira, cofundador da startup de imóveis aMora, o modelo container encanta também por expressar o gosto de um público jovem, culturalmente aberto e apaixonado por designs fora do comum. “São pessoas que buscam uma identidade, quase como se o imóvel falasse por elas. De modo pragmático e emocional, elas querem algo que traga qualidade de vida, tenha preço acessível e novos conceitos.”

Mas, afinal, quanto custa construir uma casa container? Segundo Daniel Ghizi, a faixa de preço de um container grande, o mais usado em moradias do tipo, está na faixa de R$ 12 mil a R$ 15 mil. Mas, alerta o profissional, há outros custos envolvidos. “A casa container parte, normalmente, de um orçamento mais baixo. Mas são necessárias reformas internas e externas para transformar a caixa metálica em um lar. Essas reformas consomem, pelo menos, R$ 50 mil. Mesmo assim ainda é um valor muito baixo se comparado com uma casa tradicional. Em 90% dos casos, o container continua sendo a opção mais barata”, explica.

O preço de uma casa container pode variar também de acordo com a região e fornecedor. Além disso, questões estruturais, como quantidade de módulos, qualidade do material, tamanho, quantidade de cômodos, tipo de revestimento de parede ou piso escolhido e condições do terreno também interferem no valor final.

LAR ECO-FRIENDLY

Por outro lado, o arquiteto Danilo Corbas garante que o elemento mais sedutor das casas container é o seu potencial para a sustentabilidade. “Trata-se de uma construção em que de 30% a 70% dos materiais utilizados são reciclados. Embora o container não seja fabricado com a finalidade de ser usado em construção, aqueles que estão em desuso podem ser reaproveitados”, afirma. “Como o principal alicerce da casa, o container ajuda a evitar, durante a obra, a geração de resíduos e gastos elevados de água, além de incentivar a aplicação de materiais reciclados, como vidros e madeira de demolição, contribuindo, então, para a economia circular”, completa Corbas.

Para Ghizi, há uma forte preferência por parte de construtoras e clientes pelos contêineres de ferros-velhos e aterros sanitários, principalmente pelo propósito de reduzir o desperdício de metais. “Isso está se tornando muito comum, desde que o container, apesar de descartado, ainda esteja em boas condições de uso. E a ideia de dar uma nova finalidade ao recurso, como o componente mais relevante da casa de uma pessoa, é uma forma revolucionária de combater a poluição e o descarte irregular de resíduos. Além de simplificar a construção civil com mínimos danos ambientais”, declara o arquiteto.

A premissa de viver em uma casa baseada em material reutilizado chama a atenção de um público interessado em um estilo de vida de baixo impacto ambiental. Corbas conta que, para muitas pessoas, ter uma casa em container não basta e, por isso, elas se sentem motivadas a adotar outros métodos de uso consciente de recursos naturais. “As pessoas que vivem em contêineres, muitas vezes, não limitam suas ações de sustentabilidade ao material da moradia. Elas acabam usando o lar como suporte para geração de energia limpa com painéis solares, construção de telhados verdes e reutilização de água das chuvas.”

E a proposta de proporcionar aos moradores de uma casa container uma relação mais saudável e responsável com a natureza tem levado os projetos arquitetônicos do tipo a um novo patamar, segundo Daniel Ghizi. “A casa container inova na arquitetura ao unir o ambiente interno com o externo. E, por se tratar de uma relação com a natureza, isso fica mais emblemático, uma vez que o conceito de lar não está mais restrito ao local privado, ele se expande para o ecossistema ao redor. E o design e o estilo de vida do morador se adaptam facilmente ao espaço”, explica Ghizi.

Segundo Rafael Cerqueira, da startup aMora, há no mercado imobiliário uma forte demanda por moradias que proporcionem ao proprietário uma melhor relação com o meio ambiente. “As pessoas estão cada vez mais preocupadas com o que existe ao seu redor e com o impacto que a sua presença causa, seja no campo ou na cidade. Por isso, existe uma mobilização crescente entre os novos proprietários pelos cuidados com o meio ambiente”, aponta.

DESAFIOS DA PROJEÇÃO E INOVAÇÕES

O container tem algumas características que demandam mais atenção do que as casas convencionais devido ao fato de ser um produto pré-fabricado. No caso de contêineres grandes, os mais usados para obras residenciais e selecionados para terrenos inclinados, é necessário construir a fundação e pilares que viabilizem a estrutura. Além da topografia do terreno, o conforto térmico e acústico é um dos maiores desafios dos projetistas. Devido a sua estrutura majoritariamente metálica, a casa container é muito suscetível ao calor e frio. Por isso, é indispensável investir em revestimento térmico. Isso faz com que fique mais aconchegante, evitando o uso de ar condicionado ou aquecedores. O projeto deve levar em conta, ainda, a posição do sol e o planejamento de aberturas para a circulação de ar.

Para atender a esses requisitos, muitos projetos em container estão incluindo recursos como mantas especiais, que podem ser utilizadas para o isolamento térmico e acústico, como lã de vidro, rocha ou de pet.

Apesar dessas especificidades na construção e na garantia de viabilidade da obra, o arquiteto Danilo Corbas afirma que a casa container é um modelo alternativo capaz de surpreender públicos variados. E por morar há mais de uma década em uma residência do tipo em São Paulo, ele garante que é uma experiência singular. “Além de ter uma estética diferenciada, a casa container impactou a minha família por oferecer um estilo de vida mais sustentável e prático. Nos sentimos mais seguros e responsáveis em uma residência com baixo impacto ambiental, com uma construção que demandou poucos recursos naturais. E isso não tem preço.”

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